
O CEO da Boeing, Dennis Muilenburg, participou de uma reunião com analistas do mercado para apresentar o relatório trimestral da empresa. O ponto principal, no verdade, nem passava pelos números, mas sobre como a fabricante de aviões pretendia contornar a crise em volta do 737 Max, que sofreu dois acidentes fatais nos últimos cinco meses.
A resposta de Muilenburg veio após questionamentos: “[o 737 Max] será um dos aviões mais seguros de se voar”, claro, quando o problema em seu sistema for resolvido.
O CEO também foi questionado sobre polêmicas que dizem que a Boeing foi relapsa com processos de certificação e engenharia. Um dos pontos que podem ter causado o acidente é a luz chamada de “disagree light” (luz de discordância, em português), uma luz no painel que acende quando os sensores do avião entram em discordância e mostram leituras diferentes sobre se o “bico” da aeronave está apontando para cima ou para baixo, deixando bem claro que pode haver algum problema no voo e que o piloto deve consultar outros aparelhos para se certificar para onde o avião está apontando. Tal peça era tida pela Boeing como opcional, motivo pelo qual não constava em ambos os acidentes.
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Contra isso, o CEO disse que “conhece seu avião” e que não houve problema de certificação. “É quase o oposto. Nós sabemos exatamente como que o avião foi planejado. Sabemos exatamente como foi certificado. Tivemos tempo para fazer isso. Isso nos levou a uma atualização de software que estamos implementando e testando. Estamos muito confiantes de que, quando os voos voltarem a ocorrer, o Max será um dos aviões mais seguros de se voar”, apontou o CEO.
Desde o dia 13 de março países do mundo todo impediram que o modelo pudesse fazer voos. O 737 max caiu em outubro em um voo da Lion Air e depois voltou a ter o mesmo problema em março, com a Ethiopian Airlines. No total, 346 pessoas morrem nos dois acidentes.
O motivo foi exatamente a leitura errada do sistema MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System, ou Sistema de Melhorias das Características de Vôo, em tradução livre). Ele deveria indicar ao piloto problemas com o reconhecimento de ângulo de ataque do avião. Com diferenças entre os sensores, o avião entendeu que precisava descer e foi com o nariz direto ao chão, causando os acidentes nos dois casos.
Nas próximas semanas, a Boeing deve entregar ao US Federal Aviation Administration os relatórios de testes e pedido para que o avião volte a voar — o que deve acontecer nas próximas semanas.
Como a reunião era relativa a relatórios financeiros, a Boeing também informou que deve ter um prejuízo na casa de US$ 1 bilhão por conta do modelo impedido de voar.
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