
Eu sou meio trouxa para jogos de gerenciamento de recursos e propriedades. Não que eu tenha o nível dos pro players em títulos como StarCraft e similares — eu apenas gosto da ideia de ter uma comunidade/mundo a meu poder para fazer com ela o que me der vontade, para o bem ou para o mal.
Por isso, Rise of Industry, uma produção do estúdio independente Dapper Penguin, me deixou empolgado logo de cara. Essencialmente, é um retorno às raízes do gênero, antes do “tudo online o tempo todo” tornar-se o padrão. Não há PvP e qualquer aspecto multijogador está disponível apenas via mods. Somente você, sua comunidade e seus recursos. Vá lá e jogue. Não dá para ser mais simples que isso.
Então por que é tão difícil gostar desse jogo?
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Tudo o que um jogador mais velho e mais nostálgico gosta e desgosta, Rise of Industry tem: o jogo, apesar de simplista em sua premissa, é bem aprofundado na quantidade de recursos que oferece. Imagine todos os city builders que você conhece: algum aspecto dele foi traduzido ou reutilizado aqui. Ora, há até um conteúdo relativamente novo, alheio ao seu controle, que é a parte de Relações Públicas: existe um aspecto consequencial do gerenciamento de imagem, que flutua por meio de suas ações (mais sobre isso abaixo).
Entretanto, da mesma forma que recursos “de época” se fazem disponíveis, os erros da ocasião também aparecem em igual medida. Falo de vários, mas especificamente irritante é a falta de flexibilidade do jogo. É possível que você coloque várias ações em uma fila de espera com o jogo pausado, apenas para botar o relógio para correr e… esperar. E esperar. E quando você cansar de esperar, espere mais um pouco.
É uma desvantagem em relação aos jogos de gestão voltados à guerra, como Command & Conquer ou o já citado StarCraft, nos quais durante a construção de bases e captação de recursos, você pode ser atacado por unidades inimigas e forçado a mudar sua estratégia para se defender. Em Rise of Industry, o pior que pode acontecer é, por exemplo, uma mina de carvão cair e a produção do recurso ser reduzida pela metade por uns minutos (meses, na percepção de tempo do jogo).

Ao mesmo tempo em que merece críticas, a jogabilidade também traz coisas bacanas: seu objetivo não é apenas o de construir uma cidade próspera, mas também estabelecer relações — comerciais e outras mais — com cidades vizinhas, controladas pela inteligência artificial. Em uma pegada bem ao estilo Civilization de ser, Rise of Industry rege que você não desenvolva recursos somente para subsistência, mas sim crie um quadro econômico que lhe posicione como fornecedor de bens industriais e de consumo para seus vizinhos.
Aqui, entra o aspecto de Relações Públicas que mencionei. Seus vizinhos e seus cidadãos estão de olho não só no que você tira da terra, mas como você tira da terra. Valer-se em excesso de algum método de renda como, digamos, a exploração desenfreada de combustíveis fósseis, pode fazer com que todos se virem contra você por aumentar o grau de poluição de uma região. Assim sendo, campanhas de identidade pública podem minar ou elevar a sua cidade. Em três partidas diferentes, decidi ser um nefasto assassino da Mãe Natureza, para virar a mesa e inserir campanhas de conscientização e pesquisas em energia limpa. Foi interessante ver como a abordagem da IA em relação ao meu estilo de jogo se adaptava à medida em que eu também mudava.

Também é interessante como o jogo, mesmo com toda essa abertura, aborda pequenos elementos de RPGs modernos. Não há um sistema de level up como o de, digamos, The Elder Scrolls V: Skyrim, mas tal qual a produção megalomaníaca da Bethesda, é recomendável que você siga por ramos específicos de atuação em vez de tentar abraçar todas as possibilidades. Em uma partida, por exemplo, eu fui um magnata do óleo, o que me gerou riquezas rápidas logo no início. Em outras, eu preferi atacar as áreas humanas e de pesquisa, sendo um gigante da mídia e da ciência moderna, o que me trouxe projetos altamente rentáveis a longo prazo e ótima imagem pública, mas me fez sofrer na pobreza no início do jogo.
No gameplay, infelizmente, também reside uma falha grosseira: os requisitos mínimos para Rise of Industry não são tão exigentes — processador Intel Core 2 Duo, 4 GB de memória RAM, placa de vídeo GeForce GTX 260 e pelo menos 1 GB de espaço em disco, Windows 7 ou mais recente. Toda a minha configuração supera isso, no pior dos casos, em pelo menos duas gerações. Não é um gaming laptop de R$ 8 mil, mas é uma máquina intermediária razoável.
Então por que, mesmo reduzindo algumas configurações do jogo, eu tinha gargalos e loadings que chegavam a quase dois minutos? Ou então as quedas constantes que, por mais vezes do que alguém consideraria aceitável, tive de fechar o jogo pelo gerenciador de tarefas do Windows e reiniciá-lo apenas para ver parte do meu progresso perdido?

A fim de preservar a transparência: a cópia que nos foi concedida é um beta, porém um beta que passou por duas atualizações e especificamente nomeada para veículos de imprensa. Não é o tipo de cópia onde erros como, por exemplo, a tela do jogo ser maior que o quadro do seu monitor mesmo depois de você ajustar o ecrã. Mas isso acontece aqui em alguns menus. Aliás, falando nos menus, por que o jogo não foi 100% traduzido? Na opção de legendas em PT-BR, muita coisa acabou ficando no inglês por sabe-se lá qual motivo.
Esses gargalos infelizmente se traduziram durante o jogo em si: a rolagem do mouse fecha ou abre o zoom na navegação do jogo. Entretanto, com os engasgos de performance, uma volta na roda fazia com que o zoom abrisse por inteiro, efetivamente me deixando perdido no mapa. É fácil resolver isso? É. O jogador precisa passar por isso? Não, especialmente considerando que sua configuração no PC supera a pedida pelo jogo e ele tenha pago por isso.
No geral, Rise of Industry sofre do mesmo problema de No Man’s Sky, no sentido de que tem tudo para ser um excelente jogo, mas as coisas ou ainda não estão lá, ou estão fora do lugar de onde deveriam. A essa altura, é muito mais compensador aguardar algumas atualizações para, tal qual o megatítulo da Hello Games, tornar-se algo minimamente palatável e ir evoluindo conforme o feedback dos usuários. Ao menos nisso, a Dapper Penguin tem vantagem: eles estão sempre nos fóruns oficiais coletando informações.
Rise of Industry está disponível para PC (Steam) e no Canaltech foi analisado com cópia cedida gentilmente pela Kasedo Games.
Leia a matéria no Canaltech.
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