
A Apple vem testando um recurso para limitar o rastreamento de anúncios no Safari, mas sem bloquear definitivamente as propagandas. O novo sistema, chamado de Privacy Stabiling Ad Click Attribution, foi descrito nesta quarta-feira (22) pelo engenheiro John Wilander na página WebKit.
Com a ferramenta, empresas de marketing ainda poderiam acompanhar o alcance de seus anúncios, mas seriam impossibilitadas de rastrear usuários individualmente. Isso significa que, mesmo sabendo quando e onde uma ação foi realizada, a pessoa não seria identificada.
Atualmente, funciona assim: ao procurar por um produto e clicar em um anúncio, o usuário passa a ser acompanhado por um pixel de rastreamento, que registra cada ação realizada no site de destino e repassa a informação aos anunciantes. A partir daí, as empresas mesclam as informações com cookies de rastreamento do usuário para descobrir exatamente qual foi o caminho percorrido até o produto. Com tudo isso, fica mais fácil realizar campanhas de e-mail marketing de acordo com a preferência do usuário e oferecer promoções baseadas no histórico de navegação.
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O problema é que as empresas de marketing também conseguem identificar interesses, hábitos de consumo e geolocalização dos usuários e criar perfis de consumo. Para impedir o rastreamento, alguns usuários chegam a usar bloqueadores de anúncios.
Com o Privacy Preserving Ad Click Attribution, a proposta da Apple é cultivar um ambiente mais “amigável” entre empresas de marketing e usuários. De um lado, usuários não poderão mais ser identificados com base em seus cliques. De outro, as empresas continuam a receber as informações essenciais.
O Safari também atrasaria o repasse de informações entre 24 e 48 horas, evitando que ações possam ser acompanhadas pelas anunciantes quase que em tempo real. Além disso, o sistema impediria que terceiros recebessem as informações de usuários, como os sites que ele acessou e os anúncios clicados.
Outra medida da Apple é limitar a quantidade de dados que os anunciantes conseguem acessar pelo navegador, sem a necessidade de instalação de softwares ou plugins de terceiros pelo usuário.
A Apple quer ativar o sistema no Safari ainda em 2019, mas há obstáculos a serem contornados: para colocar a ideia em prática, a empresa precisa contar com a adesão de outras organizações. Pensando nisso, a Apple propôs que a World Wide Web Consortium (W3C) torne o sistema um padrão.
O discurso de privacidade da Apple também está se reflete nos novos produtos da empresa: durante evento em março, foi anunciado que o aplicativo de notícias Apple News+ não repassará aos anunciantes o que os usuários leem, assim como o Apple Card, que não venderá os dados de consumo de seus usuários.
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