
O governo da Indonésia impôs restrições de acesso ao WhatsApp, Facebook e Instagram nesta semana, em resposta aos protestos que tomaram as ruas, principalmente, da capital, Jacarta. Por meio do Twitter, usuários do país citam dificuldades para enviar imagens e vídeos por meio do mensageiro, além de problemas para postar nas duas redes sociais, que também estariam lentas e irresponsivas.
Em nota, o Rudiantara, como é chamado o ministério das comunicações da Indonésia, confirmou o impedimento, mas citou apenas o WhatsApp, afirmando que alguns usuários sentirão um pouco de lag no envio de mensagens multimídia. Já o Wiranto, departamento de assuntos políticos e de segurança do país, falou que o bloqueio de mídias sociais e a desativação de “certos recursos” vêm para promover a calma entre a população.
Os protestos em Jacarta começaram após a revelação antecipada da reeleição do presidente Joko Widodo, com 55% dos votos no pleito que aconteceu em 17 de abril. Apoiadores do candidato derrotado, Prabowo Subianto, foram às ruas depois que ele afirmou estar disposto a contestar os resultados na justiça. Quarteis da polícia foram invadidos e viaturas foram queimadas, assim como carros e ônibus pelas ruas da capital, em manifestações que rapidamente evoluíram para confrontos violentos.
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De acordo com as informações da imprensa internacional, pelo menos seis mortos já foram registrados, além de 200 feridos, somente na capital. O governador de Jacarta, Anies Baswedan, também pediu calma à população e validou o direito às manifestações, mas somente de forma pacífica. Ele disse, também, ter aconselhado as forças de segurança a evitarem o confronto com a população.
O Facebook não confirmou oficialmente os bloqueios, mas em comunicado, disse estar em contato com o governo da Indonésia para tratar da situação. A empresa ressaltou o uso de suas plataformas para contato entre os familiares e entes queridos daqueles que estão em Jacarta e afirmou estar comprometida com o funcionamento de seus serviços no país.
Entretanto, não é de hoje que a rede social e a administração do país entram em conflito. Há um mês, na aproximação das eleições, o Rudiantara já havia expressado preocupação quanto à proliferação de notícias falsas e conteúdo inflamatório por meio do Facebook, em antecipação às eleições que aconteceram no dia 17.
O WhatsApp também faria parte dos esforços de desinformação que tentavam manipular os resultados nas urnas, com a principal reclamação do governo sendo a falta de transparência entre os pedidos de retirada de conteúdo e o que, efetivamente, saía do ar. Agora, a ideia do Rudiantara é que o mensageiro, bem como as redes sociais, estariam sendo usados para inflar os protestos e levar a população às ruas para agir de forma violenta, o que motivou o bloqueio parcial das plataformas.
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