
O planeta Vênus é um verdadeiro “inferno” aos nossos olhos, já que suas condições extremas de pressão, toxicidade e temperatura são fatais para nós — bem como a qualquer organismo vivo que conhecemos aqui na Terra. O planeta mais quente do Sistema Solar tem temperaturas elevadas o suficiente até para derreter chumbo, e seu ar é uma pluma tóxica composta em sua maior parte por nuvens de dióxido de carbono e ácido sulfúrico. Mas há indícios fortes de que nem sempre Vênus foi infernal desse jeito: diversas teorias e estudos indicam que o planeta já teve uma atmosfera muito mais fria e oceanos líquidos em sua superfície.
E um novo estudo teoriza que a antiga e suposta habitabilidade de Vênus teria sido eliminada por conta de oceanos gigantes e seus efeitos de maré, que teriam lentamente desacelerado a rotação do planeta, o que teria, então, causado sua “morte”.

O efeito estufa descontrolado de Vênus teve início há bilhões de anos, e o estudo em questão, apoiado pela NASA e conduzido por uma equipe internacional de cientistas, sugere que a presença deste imenso oceano teria feito com que essa transição se iniciasse. Também publicado no The Astrophysical Journal Letters, o estudo (liderado pelo Dr. Mattias Green, da Universidade de Bangalore) analisou a ideia de tal oceano antigo e a velocidade de rotação do planeta — suspeita-se que Vênus pode ter girado muito mais rapidamente no passado, e na mesma direção da Terra, o que teria sido um fator-chave para que ele fosse capaz de suportar um oceano líquido em sua superfície, podendo até mesmo hospedar vida. Hoje em dia, Vênus gira na direção oposta da Terra, e essa rotação bastante lenta, com sua espessa atmosfera isolante, fazem com que a temperatura superficial do planeta nunca passe da média dos 864 ºC.
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Marés agem como um freio na rotação de um planeta por conta do atrito gerado entre as correntes de maré e o fundo do mar. Aqui na Terra, esse efeito muda a duração de um dia em cerca de 20 segundos a cada milhão de anos — em Vênus, o estudo calcula, por meio de simulações, as marés do suposto oceano teriam sido suficientes para atrasar a rotação do planeta em até 72 dias terrestres a cada milhão de anos.
Isso sugere que o freio de maré poderia ter retardado a rotação venusiana em um período de apenas 10 a 50 milhões de anos e, à medida em que a taxa de rotação era reduzida, os oceanos de Vênus devem ter evaporado em seu lado virado para o Sol, levando-o ao efeito estufa e sendo, então, o pivô para o fim de qualquer habitabilidade no planeta.
Para o Dr. Green, “este trabalho mostra como as marés podem ser importantes para remodelar a rotação de um planeta, mesmo que esse oceano só exista por uns 100 milhões de anos, e como as marés são fundamentais para tornar um planeta habitável”.
Em teoria, Vênus poderia ser terraformado e se tornar habitável com as seguintes medidas: acelerando sua rotação para reduzir seu efeito estufa, e então bombeando toneladas de hidrogênio para transformar as densas nuvens de CO2 na atmosfera em água e grafite. Vênus teria seus oceanos de volta e (lembrando, em teoria) poderia ser compatível com a vida como a conhecemos.

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