
Os porta-vozes do Facebook precisam casar melhor seus discursos. Segundo o Digital Trends, o advogado da empresa, Orin Snyder, disse em uma audiência com juízes que avaliam o escândalo Cambridge Analytica que não há motivos para os usuários esperarem por qualquer tipo de privacidade dentro da rede social.
As afirmações estão em confronto direto com o discurso veiculado pela empresa por meio de seu CEO, Mark Zuckerberg, que vem, desde abril batendo na tecla de que o futuro do Facebook reside na proteção aos dados dos usuários.
Snyder disse, na audiência, que “não existe invasão de privacidade, porque não há privacidade”. O objetivo do advogado na audiência era o de convencer o juiz Vince Chhabria de dispensar e arquivar o processo sobre o caso. O argumento principal dele é o de que usuários dão consentimento para o compartilhamento de suas informações com empresas terceirizadas pelo Facebook.
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“Você teria de resguardar algo próximo de si para ter uma expectativa razoável de privacidade”, Snyder complementou. Ele também representa juridicamente outras empresas do setor tecnológico, como a Apple.

Mark Zuckerberg vem tomando um discurso na via contrária, porém: nesta semana, em uma conferência com investidores do Facebook, o CEO teria dito que “um dos grandes temas que vamos promover pelos próximos cinco ou 10 anos é a construção da nossa visão de uma plataforma social focada na privacidade”. Zuckerberg ainda comparou o Facebook a uma “praça digital”, onde a empresa é majoritariamente pública, mas que a privacidade das informações dos usuários seria um ponto estratégico a ser empurrado pela empresa.
O problema é que a maior parte do faturamento e lucratividade do Facebook vem de anúncios direcionados. E direcionar anúncios é impossível sem o acesso às informações das pessoas. É por meio do que você curte, compartilha, comenta e publica que a rede sabe quais assuntos podem lhe interessar, posicionando a devida publicidade ao seu perfil. No ano passado, pelo último trimestre, a rede social teve faturamento de US$ 16,8 bilhões gerados por advertising.
As consequências da audiência a que Snyder compareceu ainda não são publicamente conhecidas. Tampouco a posição do juiz do caso.
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