
Em seu primeiro relatório fiscal após a abertura de capital na Nasdaq, a Lyft apresentou um documento de contrastes. Enquanto o faturamento total foi maior do que o esperado pelos analistas financeiros, com US$ 776 milhões em receita no período, as perdas também foram maiores do que o imaginado, com prejuízo de US$ 1,14 bilhões. “Um começo forte para um ano importante”, nas palavras de Logan Green, CEO e cofundador da empresa.
Fatores burocráticos levaram à perda que pode soar como astronômica, mas já era relativamente esperada para uma companhia como a Lyft. Ela ainda está no caminho para chegar a um patamar de lucratividade e deve passar pelos gastos inerentes do próprio processo de oferta de ações, que levantou US$ 2 bilhões em investimentos no mês de março. Compensações relacionadas a esse processo, mudanças na folha de pagamento da empresa e outros gastos relacionados levaram às perdas no primeiro trimestre.
Por outro lado, Green citou o faturamento também acima do esperado como resultado de um aumento na demanda pelos serviços da companhia, consequência de um crescimento constante e, também, da atenção dada a ela pela cobertura da própria IPO. A receita cresceu 95% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a base de usuários ativos aumentou 46%.
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Mesmo assim, um patamar robusto de lucratividade não é esperado pelo menos para o futuro próximo. De acordo com Green, a ideia da empresa é investir em suas atividades nos países em que atua e lançar a operação em novos territórios, de forma a transformar o unicórnio em uma empresa efetivamente sólida que, aí sim, poderá trazer os ganhos aos acionistas.

É um comportamento relativamente padrão nesse mercado, mas que não parece coincidir com o nível de paciência dos investidores. As ações da Lyft na abertura de capital foram celebradas e chegaram a bater US$ 87 horas depois de serem liberadas a US$ 74. Entretanto, nas semanas que se seguiram, houve uma queda significativa. Com a revelação dos resultados financeiros, no momento em que esta reportagem é escrita, os papéis apresentavam baixa de 2% e a expectativa é de que eles iniciem o pregão desta quarta (8) sendo negociados a US$ 59,34.
Talvez por isso Green pede calma aos investidores e, principalmente, que confiem nos projetos da companhia. “As oportunidades requerem pensamento em longo prazo, foco e execução.” No final das contas, faturamento e número de usuários devem ser as métricas que guiarão os investidores da Lyft em relação a todo esse potencial, e, nesse caso, pelo menos as coisas soam bem positivas.
Da mesma forma, tais resultados também devem impactar diretamente na abertura de capital de sua grande rival, a Uber, que deve iniciar sua negociação de ações ainda nesta semana. Apesar de ser uma das IPOs mais aguardadas dos últimos tempos no mercado de tecnologia, com 180 milhões de ação e diluição de US$ 90 bilhões, a ideia entre os analistas é que a situação da Lyft pode servir de parâmetro para a oponente, gerando um resultado aquém do esperado devido à cautela de alguns acionistas em embarcar em tais ideias de longo prazo.
Essa, entretanto, é uma noção que fica a ver. O que se sabe, com certeza, é que Green e a diretoria da Lyft estão empolgados com o futuro, mas sabem que chegar ao tão aguardado patamar de lucratividade vai demorar. “Se disséssemos que estamos construindo a melhor infraestrutura de uma rodovia, por exemplo, todos entenderiam que isso é algo que exige tempo”, comparou o CEO ao comentar os resultados financeiros em uma carta que acompanhou essa divulgação.
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