
A Índia e o WhatsApp não possuem a melhor das relações, e conclusões recentes feitas por um estudo no país devem jogar ainda mais sal nessa ferida: segundo levantamento da Cyber Peace Foundation (CPF), uma empresa e think tank de cibersegurança baseada em Nova Délhi, a plataforma ainda contém poucas ferramentas e muita dificuldade em restringir o compartilhamento e distribuição de pornografia infantil e conteúdo que sexualize crianças no país.
Segundo Nitish Chandan, um dos coordenadores da CPF, os membros desses grupos ingressam neles por meio de links de convite, mas os administradores usam softwares terceiros para embaralhar números de telefone, dificultando a sua detecção. A situação é tão difundida que aplicativos específicos para busca e encontro de grupos de WhatsApp figuram na seção de apps “Adultos” e apresentam o acesso a material de vídeos pornográficos infantis. Tais apps foram banidos da Play Store, mas ainda podem ser encontrados em repositórios online.

Complicando ainda mais a situação está uma medida de segurança do próprio WhatsApp: citada como um espectro de proteção ao usuário, a criptografia de ponta a ponta impede que qualquer entidade seja capaz de ver o tipo de conteúdo compartilhado entre os usuários, efetivamente dificultando o monitoramento por parte das autoridades. A grosso modo, com essa criptografia, o WhatsApp sabe que uma mensagem está sendo trocada entre usuário A e usuário B, mas não consegue nomear o seu teor.
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Ainda assim, estudos apontam que há formas de rastreio que não violam a criptografia. Segundo pesquisa feita pela publicação Columbia Journalism Review em agosto de 2018, é possível que o WhatsApp monitore informações de metadados, como o hash criptografado de uma mídia (que é usada pelo app quando vídeos são encaminhados ao invés de transferidos via upload, por exemplo) e os números de telefone compartilhados com o Facebook (necessários para utilizar o aplicativo), a fim de determinar incidências de fake news e conteúdo explícito sem violar a privacidade do usuário.
O WhatsApp não comentou as conclusões do estudo da CPF, mas sua política de uso condena a transmissão de fake news, mensagens de desinformação e a prática criminosa, categoria esta que recai sobre o compartilhamento de pornografia infantil.
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